As teias de aranha desse blog não se devem à falta do que escrever e sim à falta de tempo... Mas vamos lá, que quanto mais o tempo passa, mais as coisas se acumulam!
Durante o último feriadão de Páscoa, mês passado, tive a oportunidade de sair em uma campanha evangelística. Saí na sexta e no sábado. Passei esses dois dias, juntamente com outros alunos, evangelizando pela manhã e pela tarde. A mensagem que levemos é bem simples: todos somos pecadores (Romanos 3:23; Eclesiastes 7:20); a paga do pecado é a morte (Romanos 6:23); no Céu não pode entrar coisa suja (Apocalipse 21:27); nada do que o homem possa fazer alcançará a marca de Deus (Efésios 2:8-9; Romanos 4:5); Cristo pagou todos os nossos pecados na cruz e nos oferece Sua justiça (João 3:16; Romanos 5:8); para ser salvo, é necessário crer e receber a Cristo por fé (João 1:12); e “vida eterna” não quer dizer “até o próximo pecado” (João 6:37-40). Com estes versículos íamos desenvolvendo e apresentando o plano da salvação de Deus para aquelas ovelhas ainda sem pastor.
| Uma ovelha no bairro Nicolle. |
É incrível como algumas pessoas aqui nos recebem em suas casas – convidam-nos para entrar, oferecem-nos sucos, etc. Mas é triste ver como muitas estão endurecidas para o evangelho. No primeiro dia, saímos, minha dupla e eu, por um quarteirão de um bairro chamado La Foresta. É um bairro relativamente pobre, mas que parece estar se organizando aos poucos. Falamos a sete pessoas. Nenhuma respondeu positivamente, apesar da educação e atenção. No dia seguinte, um pouco menos animado, fui a um bairro chamado Nicolle. O nome se deve ao fato de que, há bem pouco tempo, não havia “ni colegio, ni colectivo”, ou seja, nem colégio, nem coletivo. O nome pode ser engraçado, mas a carência do lugar parte o coração. Casas de madeira, saneamento precário, crianças nos pedindo pães e maçãs, muito mato e riscos de assalto em cada nova esquina. Estava menos animado por causa do dia anterior. Para mim o desafio tinha sido e sempre será duplo: não somente tenho que evangelizar, mas tenho que evangelizar em castelhano. Um argentino que tem sido muito fraterno comigo, vendo a situação, me mostrou o seguinte texto: “Então, disse Moisés ao Senhor: Ah! Senhor! Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste ao teu servo; pois sou pesado de língua. Respondeu-lhe o Senhor: Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Êx 4:10-12). E fui subindo no ônibus no segundo dia (sábado) falando mais ou menos como Raquel: “Senhor, dá-me filhos hoje, senão morrerei”. Mas o dirigente desta campanha nos disse:
“É provável que algumas pessoas não queiram escutar o evangelho. Pode ser que alguns fechem as portas quando vocês chegarem, mas não desanimemos. Façam como Pedro e digam: ‘Mestre, trabalhamos a noite toda e não apanhamos nada; mas sob a tua palavra lançarei as redes’. Porque a obra não é nossa, mas do Senhor”. E com essa palavra fui encorajado e posto no meu devido lugar.
Com outra dupla, saí batendo novamente de casa em casa. Durante todo o dia, pregamos a cinco pessoas (sem contar as muitas crianças que havia em cada casa). Quatro delas responderam positivamente para a glória do Senhor! Com uma delas, um jovem pai de família, gastei boa parte da manhã. Ele me chamou para dentro e confessou que tinha problemas graves com álcool, drogas e assaltos. Engoli em seco a cada nova confissão. Mas Deus me deu tranquilidade para falar tudo aquilo que devia. E pude comprovar um princípio bíblico: eu não preciso ter cometido os mesmos pecados da pessoa com quem falo para lhe testificar e pregar o evangelho. Jesus nunca pecou e sempre estava pregando às “piores” das pessoas. Porque a obra é sempre do Senhor.
Até onde posso ver, mais do que no Brasil, os jovens na Argentina estão mergulhados no vício. Escutei casos de crianças de 7 ou 8 anos já viciadas; e não são casos isolados... Aqui mesmo no Instituto há dezenas e dezenas de alunos ex-viciados, ex-ladrões, etc. Mas é lindo poder falar que só sei disso porque andei conversando com alguns. Eles não têm um letreiro dizendo: “Em minha vida passada eu fiz isso e isso”... Porque são todos novas criaturas e seus passados estão no lixo.
À tarde, voltei às residências daqueles que tinham recebido a Cristo com um irmão da igreja local; para que eles tivessem contato com alguém que poderia acompanhá-los, já que nós do G.E.A. (Grupo de Treinamento e Apoio) não voltaríamos ali tão cedo, e não é lógico abandonar os que acabaram de receber as boas-novas. E, no domingo seguinte, domingo de Páscoa, ficamos sabendo que muitos dos que foram evangelizados compareceram às igrejas dos muitos bairros alvos das campanhas, podendo escutar ainda mais do evangelho. Ao todo, mais de 500 pessoas escutaram do evangelho em 4 dias! Glória a Deus! E aqui tenho que agradecer também a todos os que me apoiam com ofertas e orações... Não é maravilhoso saber que estão influenciando vidas de pessoas que nem conhecem, a quilômetros de distância? Esses frutos para o Senhor são resultado dos seus trabalhos também.
E as histórias se multiplicam porque cada um que saiu para evangelizar tem um testemunho maravilhoso de como Deus age brilhantemente, na hora certa. O que mais gostei de ouvir foi o de dois alunos que bateram em um portão de uma propriedade cuja casa ficava mais ao fundo. Depois de vários minutos, saiu uma criança seguida por um cachorro, indo ambos até eles. A criança lhes disse que seus pais não estavam e que não havia ninguém para lhes atender. Um dos alunos ofereceu, então, como que brincando, um folheto ao cachorro; e lhe disse algo como: “Deus te abençoe”. Para a surpresa de todos, o cachorro agarrou o folheto com a boca e o levou até a porta da casa, para a mãe do menino, que estava, na verdade, escondida. A mulher, então, tomou o folheto e o outro aluno gritou: “Senhora, por que se esconde? Nós temos algo importante para lhe dizer”. E, assim, aquela mulher escutou o evangelho e se converteu naquele dia. Porque Deus não se importa de usar também cachorros para seus propósitos.
É para parar e pensar, entendem? Se um cachorro pode entregar um folheto, quanto mais nós faremos se dispusermos nossos corações para o serviço?! Pedro diz: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9). Somos sacerdotes de Deus, cada um de nós, chamados para servir. E pensemos quanto tempo nos levaria para falarmos das virtudes de Cristo... Cada dia que passa sem que nós as proclamemos é um dia desperdiçado, um dia sem coroa. Como disse mais em cima, a mensagem que temos que levar é bem simples... Mas é também uma mensagem poderosa!!!
Reconheço que Deus tem enchido minha mente com a Sua Palavra. Chegou o tempo de demonstrar que sei compartilhar do que me sobeja. Estou com as sementes e, se não as plantar, elas apodrecerão em meus celeiros. Sei o que Deus quer de mim e, se não o fizer, estarei desobedecendo, estarei em pecado. Dou graças a Deus porque tenho feito algo, mas posso fazer sempre mais.
(Postagem publicada originalmente em 21 de maio de 2011)

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