Continuando...
Aquele diabo velho, Screwtape, continua agindo...
Agora é que vem o mais engraçado. O Inimigo referiu-se a um casal como “uma só carne”. Ele não estava se referindo a “um casal que vive a felicidade no casamento” ou a “um casal que casou porque estava apaixonado”, mas você pode muito bem fazer os seres humanos ignorarem isso. Você também pode fazê-los esquecer que o homem que eles chamam de Paulo não limitou isso a casais casados. A simples copulação, para ele, já os tornava “uma só carne”. Assim, você pode levar os seres humanos a entenderem o “estar apaixonado” como uma expressão retórica, que seria, de fato, uma mera descrição da relação sexual. A verdade é que não importa se um homem se deita com uma mulher, e nem se eles gostam um do outro ou não. O que importa é que esse ato trará uma relação transcendente permanente entre eles, a qual será eternamente desfrutada ou eternamente suportada. A partir da afirmação verdadeira de que essa relação transcendente, se seguida de forma obediente, tinha a intenção de resultar, mais do que freqüentemente, na afeição e constituição de uma família, os seres humanos podem ser levados a inferir que a crença falsa de que a mistura de afeição, medo e desejo, a qual eles chamam de “estar apaixonado”, seja a única coisa capaz de fazer um casamento feliz e santo. É fácil induzi-los a esse erro, já que no [Mundo] Ocidental o “estar apaixonado”, na maioria das vezes, precede os casamentos realizados em obediência aos desígnios do Inimigo, isto é, com a intenção de fidelidade, instituição de família e boa vontade; da mesma forma que as emoções religiosas muitas vezes, ainda que nem sempre, estão presentes no processo de conversão. (C. S. Lewis).
Continua na próxima postagem...
(Postagem publicada originalmente em 11 de março de 2011)

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