Terminando...
Voltemos ao C. S. Lewis:
Se a velha fórmula final dos contos de fada “e viveram felizes para sempre” for entendida como “e nos cinqüenta anos seguintes eles se sentiram exatamente da mesma forma como se sentiram no dia anterior ao casamento”, então ela está dizendo algo que provavelmente nunca foi e nunca será verdade, que inclusive seria altamente indesejável se o fosse [grifo meu]. O que seria do seu trabalho, seu apetite, seu sono, suas amizades? Mas, é claro que deixar de “estar apaixonado” não significa necessariamente deixar de amar. O amor, nesse segundo sentido – o amor como algo diferente de “estar apaixonado” – não é um simples sentimento. Trata-se de uma profunda unidade, alimentada pela vontade e deliberadamente fortalecida pelo hábito; reforçada (nos casamentos cristãos) pela graça que ambos os parceiros pedem e recebem de Deus. Os cônjuges podem alimentar esse tipo de amor um pelo outro mesmo naqueles momentos em que não se gostam; é o mesmo que acontece quando você se ama, mesmo quando não está gostando nada de si. Eles são capazes de manter esse amor, mesmo considerando que qualquer um deles possa facilmente se “apaixonar” por outra pessoa. Primeiro, o “estar apaixonado” os levou a jurar fidelidade; esse outro amor mais calmo os capacita a cumprir a promessa. É esse amor que mantém a máquina do casamento ativa; o estar apaixonado não passa da ignição que lhe deu partida.
Perceba que essa racionalização do amor feita adequadamente, como a temos apresentado até aqui, se aplica a todos os outros tipos de amores que não o Eros (o amor sexual). Aplica-se inclusive ao modo como Deus nos ama. Na verdade, Deus faz infinitamente mais, porque, ao contrário do que acontece nos nossos amores terrenos, Ele não enxerga inicialmente em nós nada que Lhe encha os olhos e mesmo assim nos ama (Dt 7:7-8). Então, sendo eu cristão, ou seja, um seguidor de Cristo, vou tentar fazer as coisas ao modo dEle, não importando quão difíceis elas sejam pra mim...
Bom. Então é isso. Agora você já sabe tudo o que eu penso sobre “estar apaixonado”, namoro e casamento. Mas você estará enganado se pensar que tirei tudo isso de livros e palestras de pastores somente... Porque eu comecei a raciocinar dessa forma depois que fui dormir na casa de um amigo e tivemos uma conversa sobre o tema (te lembras disso, Diego? ^^ )...
Por fim, gostaria de lembrar a ilustração do “velho” Eiró sobre o casamento. É como o triângulo abaixo:
Quanto mais próximos ambos estiverem de Deus, mais perto estarão um do outro. Não pode ser apenas um deles:
Tem de ser os dois...
FIM
(Postagem publicada originalmente em 21 de março de 2011)



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