sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Uma semana no...


Respondendo antes que alguém mais me pergunte... Sim! Eu ainda vivo! =)
Recentemente escrevi uma carta à minha igreja no Brasil, compartilhando um pouco do que Deus tem feito por aqui comigo. Escrevi sobre duas coisas específicas. A primeira foi uma viagem de uma semana ao PV-Chile no mês de setembro. A organização ali completou 35 anos, celebrados com uma campanha evangelística; de maneira que essa, obviamente, foi uma viagem missionária. Nunca me imaginei indo ao Chile, da mesma forma que nunca havia pensado no Uruguai...

Quando se viaja ao Chile por terra saindo da Argentina, mesmo quando o objetivo é evangelístico, a primeira coisa que deixa a pessoa quase sem ar é a cordilheira. As montanhas já podem ser vistas desde Mendoza (uma das províncias ao oeste da Argentina). Logo vem a mudança de pressão atmosférica com a subida. A gente sente os ouvidos tapados (a dica em viagens assim é levar chiclete para mascar nas variações de pressão). E então se vê neve, estradas e rios todos torcidos por entre as montanhas, tuneis construídos por dentro da rocha montanhosa... Agora entendo a Bilbo dizendo ansioso: “Quero ver as montanhas de novo, Gandalf! As montanhas!”. Realmente é algo para não esquecer e querer viver de novo.

Montanhas vistas desde Mendoza.





Pokemón e Andrea, companheiros chilenos - na fronteira com os passaportes em mão.


O mais entregado à neve! =)

Depois do que esperei no Uruguai, uma horinha por esse carimbo não é nada... =p


Pros que se gabam ao volante...

... encaram essa?

Propriedade do PV-Chile. Podem ver a montanha ao fundo? Me guiei por ela quando me perdi voltando sozinho do shopping... Uma hora subindo, subindo, subindo...


Entretanto, para ser sincero, me senti durante toda a viagem, em certo sentido, como um elefante numa loja de porcelanato. Para começar, até hoje não sei por que o depto. de ministérios me enviou para estar ali (bom, em realidade, agora eu meio que sei). Fomos uns poucos alunos, e a maioria chilena. Fomos totalmente de graça! Estive todo o tempo rodeado de missionários e diretores e gente importante. Fiz uma lâmina de evangelismo ilustrado no meio da principal praça de Santiago em plena semana pátria, sem haver tido nenhum treinamento, somente de ver Esteban fazendo lá no Uruguai. Tive, pela primeira vez, que fazer tradução simultânea de pregações do espanhol para o inglês. No início, a seguinte pergunta bombardeava minha cabeça: “Senhor, por que eu? Não havia gente muito mais qualificada para todas essas coisas?”. Como que me sentia um pouco incômodo de estar ali. Porém, o Senhor logo me mostrou que isso era falsa humildade; era um orgulho disfarçado, na verdade. O que estava me molestando não era o fato de reconhecer que não era o mais capaz para o que se tinha que fazer (isso em realidade nem teria que ser causa de moléstia), mas o fato de que eu tinha que fazer coisas cujo bom sucesso dependia exclusivamente de Deus. Como não me lembrar de 1 Coríntios 1:18-31? Deus estava me ensinando (mais uma vez!) que Ele sempre vai garantir que TODA a glória seja dEle. Foi conversando à noite com um companheiro que o Senhor falou comigo assim. Quando compreendi que o elefante estava ali para glória de Deus, parei de reclamar. Continuei fazendo tudo o que me pediam da melhor maneira que podia, e muitas delas continuaram sendo mal feitas aos olhos humanos (especialmente daqueles que poderiam fazê-las melhor que eu); mas em meio ao aparente fracasso, havia resultados dignos de um trabalho perfeito. Evangelizávamos em escolas pela manhã e, à noite, íamos a diferentes igrejas. Terminei essa viagem proveitosamente humilhado. Porque o Senhor claramente me mostrou que Ele era quem estava trabalhando. Os bons resultados não foram pelas minhas capacidades. Nunca foram. Nunca serão...
Em Lucas 17:10, Jesus instrui: “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer”. Deus não necessita nossa ajuda. Quem Lhe ajudou quando criava o Universo do nada? Mesmo o que Lhe damos, são coisas que Ele primeiramente nos deu para que pudéramos devolver depois (1 Cr. 29:14). Isso vale para o amor que Lhe devotamos (1 Jo. 4:19). Nosso serviço a Ele é como quando uma criança vem mostrar ao pai o desenho que fez de toda família. O pai realmente não necessitava daquele “rabisco”. Mas o põe numa moldura e a coloca no meio da sala. Deus não necessita nosso serviço, mas é gracioso e nos deixa fazer algumas coisas, e as põe em alto. Entretanto, não cruzemos os braços porque não somos necessários. Imagino um pai que entra na sala da casa de um amigo que também é pai, a sala cheia de desenhos e outras demonstrações da afeição dos filhos. Esse primeiro pai se vai triste dali após a visita, porque seus filhos nunca lhe desenharam nada... Recordemos que o filho que agradou ao pai foi aquele que fez alguma coisa (Mt 21:31). O conceito desse versículo de Lucas vem me acompanhando desde então...







Organizando evangelismo na principal praça de Santiago no feriado pátrio.

Apresentando "Renacidos para una esperanza viva" em uma escola. Um doce pra quem achar onde tô sentado... =p







Voltando...

O vento nem deixa a gente abrir os olhos...

(Postagem publicada originalmente em 27 de dezembro de 2011)

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