 |
| Esteban (Argentina), eu, Verane (França), Anita (Chile), Dámaris, Vic, Andrea e Estela (Argentina) - grupo Maldonado. |
Em toda a minha vida, jamais pensei que algum dia viria pra Argentina com objetivos missionários. Uma vez aqui, não cheguei a pensar que já teria, em tão pouco tempo, a oportunidade de trabalhar em um terceiro país. Mas, pelo que vejo, Deus está me fazendo experimentar de tudo um pouco...
Saímos do Instituto às dez e meia da noite do dia em que o Brasil meteu 4 contra o Equador (nem pude ver a única partida que merecia ser vista...) – 13 de julho. Chegamos à aduana Argentina-Uruguai por volta das 4 da manhã do dia seguinte. Às 8 da manhã continuávamos parados exatamente no mesmo lugar. Tentei saber o que acontecia... Todos os passaportes haviam sido carimbados. O problema era supostamente os documentos do ônibus. Mandaram buscar, então, em Buenos Aires os documentos que faltavam.
 |
| Parados na aduana, às 6:15 da manhã... |
Passamos boa parte daquela manhã, enquanto não chegavam com os papéis, orando pela liberação do ônibus. Alguns de nós saímos a repartir jornais evangelísticos e pregar pros caminhoneiros; também para, ao som do violão, cantar e compartilhar versículos uns com os outros. Deu a hora do almoço e continuávamos ali. Subimos em um morro perto da aduana e comemos por volta de 1 e meia da tarde... Pra encurtar essa parte da história, só fomos cruzar a aduana por volta das 6 da tarde!
 |
| Um típico uruguaio (Nacho) tomando mate e uma roda de louvor. |
 |
| Almoçando na fronteira. |
 |
| 17:25... Ainda parados... |
 |
| Quase 18:00!!! Finalmente sinal verde... |
Obviamente, essa situação atrasou todo o programa. Éramos mais de 50, divididos em 5 ou 6 grupos. Meu grupo deveria chegar a uma cidade chamada Maldonado pela parte da tarde do dia 14. Chegamos às 3 da manhã do dia 15. Fomos oito – seis moças, um rapaz do terceiro ano (Esteban, responsável pelo grupo) e eu. O plano inicial era que as meninas ficariam na casa ao fundo da igreja que iríamos apoiar e nós dois, homens, ficaríamos na casa de um dos líderes. Mas acabamos dormindo na igreja. Nunca senti tanto frio na minha vida. Todas as noites era a mesma coisa: acendíamos o fogo para as senhoritas e, depois que o recinto já estava bem quentinho, íamos embora pro nosso frio. E, justamente por causa do frio, me senti o homem mais porco da face da terra também... Tínhamos 15 minutos de água quente em cada banho. Mas o dispositivo quebrou (era uma espécie de timer) e a água quente se foi pra nunca mais... Aí já viram, né?...
 |
| Aprendendo a acender uma lareira. ^^ |
 |
| Indo trocar de moeda... |
Esteban distribuiu nossas responsabilidades pelo tempo em que ficaríamos juntos. Como já vi que sempre acontece comigo, foi muito difícil aprender a conviver 24 horas com pessoas para as quais, um par de dias antes, nunca havia dado um “oi”. Mas tenho entendido que a convivência intensa acelera o ganho de intimidade e entrosamento. Na verdade, “ou vai, ou racha”! E “foi”... E “ir” implica deixar de lado minhas preferências, minha maneira de pensar e um pequeno monstro chamado “eu” – trocá-lo por uma frágil porcelana chamada “nós”... Por exemplo: Esteban, apesar de estar no terceiro ano, é mais novo que eu; e descobri que ser liderado por alguém mais novo ataca ferozmente meu orgulho. Uma vez que havia identificado esse problema interno (denominado biblicamente “pecado”), tinha duas opções – seguir alimentando o monstro (e pôr a oportunidade de crescimento em minha vida a perder, além de trazer todas as más consequências possíveis), ou rogar a Deus que trabalhasse em meu coração. Escolhi a segunda, que é sempre mais difícil, especialmente no início, porque envolve esforço pessoal. Nós dois estávamos, então, sempre orando antes de dormir por coisas específicas, compartilhando exortações e conversando sinceramente de nossas dificuldades um com o outro – a Bíblia aberta e Deus falando. Creio que essa atitude foi de extrema importância para a realização dos diversos trabalhos que nos tocaram fazer.
 |
| Orando com Esteban. |
O primeiro deles que pudemos realizar ali foi um Clube Bíblico com os jovens e adolescentes da igreja local. Foi um bom momento de louvor e palavra, em que tivemos também a oportunidade de conhecê-los e de nos apresentar. Nessa reunião, já foi possível ver quem era que geralmente estava à frente e com quem poderíamos contar para unir forças. Impactou-me ver a disposição e o testemunho das moças daquela igreja – falo de meninas entre 7 e 14 anos! Queria que houvesse mais homens com tanta vontade de trabalhar – e isso serve pra mim especialmente.


Também fizemos, e este foi nosso carro-chefe, evangelismo ilustrado em praças, feiras e num campo de futebol. Essa ferramenta consiste no seguinte: primeiramente, faz-se um jogo para chamar a atenção das pessoas. O jogo que usamos e que foi minha responsabilidade dirigir foi o “Jogo dos Números”, uma espécie de desafio em que as pessoas escolhem 6 números de 1 a 36, sendo que garanto desde o início que a soma desses números será 111. Se me equivocasse, pagaria uma Coca pra todos; porém, se acertasse, as pessoas ficariam para a próxima lâmina. Graças a Deus não me equivoquei em nenhuma das vezes e centenas de pessoas ficaram para a lâmina seguinte, e escutaram o Evangelho.
 |
| Indo pra praça. |
 |
| Jogo dos números. |
 |
| Talvez não pareça, mas tremia de frio e de nervoso... =p |
Com a outra lâmina, Esteban ia apresentando o plano de salvação para as pessoas. E a grande maioria escutava tudo, porque ficavam curiosas para saber como a pintura terminaria. E escutavam sobre o pecado, sobre a impossibilidade do homem de chegar a Deus por seus próprios meios, sobre a solução de Deus na pessoa de Jesus Cristo, sobre os dois tipos de nascimento e os dois tipos de morte. Ao terminar a apresentação, os demais do grupo se aproximavam das pessoas e, com a Bíblia na mão, testificavam. É incrível como Deus toca o coração das pessoas, não importando idade ou classe social ou coisa alguma – com essa ferramenta, após as apresentações, pude evangelizar desde crianças a velhinhos, de gente que chegava com carrões a mendigos. Porque o vazio do coração das pessoas tem sempre o formato e tamanho de Deus e porque o presente que Ele oferece é de Graça e para todos – ricos e pobres, crianças e velhos, uruguaios e brasileiros... Sim, choveu brasileiros nessa viagem! Tive a oportunidade de evangelizar para três deles e um (que alegria!) se converteu.
 |
| Esteban começando a lâmina evangelística. |
 |
| Incrível o interesse da gente... |
 |
| A ponto de falar sobre o verdadeiro problema da humanidade. |
 |
| Evangelismo ilustrado num campinho de futebol. |
 |
| Falando com os caras... |
 |
| Impressionante como as pessoas estão necessitadas, ainda que não pareça... |
Outra coisa que fizemos quase todos os dias foi evangelismo de porta em porta. Aí houve de tudo – desde gente que rasgava os folhetos na nossa cara a gente que nos convidava para entrar e tomar mate (como sofri com essa ervinha amarga!). Em uma das vezes, cheguei a uma casa e, justamente nesse momento, saía uma visita. A moça que estava comigo (Ana) falou aos donos da casa enquanto eu falava à visita. Não por coincidência, o senhor com quem conversava não era ninguém menos que o pai de um dos pastores da igreja que nos hospedava. Ele havia estado ali por um tempo, congregando-se, mas agora estava afastado. Ao final, não voltou à igreja, mas o Senhor seguramente lhe incomodou muito. Os textos que usei lhe deixaram sem resposta e justificativa e isso só quem faz é Deus com Sua Palavra.
Também tivemos a maravilhosa oportunidade de visitar, em duas tardes distintas, dois asilos. Incrivelmente, tivemos abertura total para pregar o Evangelho com toda clareza, e uma das diretoras de um dos asilos se converteu também. Estar com idosos, e conversar com eles, exige todo um cuidado, muito maior do que com crianças, creio. Conversei com muitos deles e alguns foram verdadeiros desafios – não queriam conversar, não escutavam bem, sofriam de Alzheimer, Down, etc. Essa experiência me fez lembrar muito meus avós. E agradeci muito a Deus por suas vidas e porque têm quem lhes cuide e lhes dê o devido respeito e honra.
 |
| Conversando com vovôs e vovós sobre suas vidas e sobre a de Cristo. |
 |
| Senti falta dos MEUS avós nessa hora... =') |
Realizamos, ainda, uma Hora Feliz com as crianças do bairro onde estávamos. Ana e eu tivemos que nos vestir de palhaços (nunca cheguei a me olhar no espelho!) e, juntos, saímos pelas ruas convidando as famílias. Mais de 50 crianças se juntaram e (já tinha esquecido como era isso!) as fantasias ajudaram bastante! Ali brincamos com elas, fizemos competições e cantamos músicas; mas o mais importante: também evangelizamos. Usando um livro sem palavras, porém de muitas cores, cada cor representando uma parte do plano de salvação, falamos de Cristo e Seu amor pelas pessoas. Foi interessante ver que as crianças agem de maneira similar aos adultos – umas querem escutar e realmente reconhecem que necessitam de Cristo, outras, ao ouvir de pecado, se riem ou vão embora...
 |
| Os palhaços Erasto e Erastácia com seus companheiros. XD |
Aproveitamos, também, a oportunidade e fomos conhecer Punta del Este. Obviamente, levamos jornais evangelísticos para distribuir ali também. Punta del Este é um lugar fantástico! Lindo pelo que fez Deus e lindo pelo que modificou o homem também. Porém o que mais me chamou a atenção foi que, estranhamente (ao menos para mim), davam-nos permissão para entrar em restaurantes (do tipo 5 estrelas) para distribuir porções da Escritura. As pessoas, em todos os cantos, fosse nas lojas, comércios ou fosse na rua e em praças, nos recebiam muito bem. Ninguém, por exemplo, me fechou as portas ou rejeitou um jornal – alguns inclusive me pediam!
 |
| Primeira vez que vou à praia e não sinto a mínima vontade de entrar na água! ;) |
E foi um estímulo grandioso ver que Deus começou a frutificar nosso trabalho já na quinta-feira, dia 21, quando houve uma reunião de estudo na igreja e recebemos muitos visitantes – alguns já convertidos durante a semana, outros apenas interessados em escutar um pouco mais. Ali pudemos contar nossos testemunhos e falar de Cristo novamente. Ao final da viagem, somente o nosso grupo em Maldonado, sem contar os demais espalhados pelo restante do país, distribuiu mais de 800 jornais evangelísticos e mais de 200 folhetos; e mais de 200 pessoas escutaram o Evangelho com clareza.
 |
| Nunca pense que você já se deu por completo no serviço a Deus. |
 |
| Falando com um visitante. |
Fora todas essas bênçãos, voltei pra Argentina com os horizontes ainda mais longe... Agora tenho amigos e irmãos uruguaios (além de mais amigos e irmãos canadenses, pois havia uma família de missionários do Canada ali) e estou emocionado de ver que, apesar de tantas lutas e dificuldades, Deus tem levantado pessoas que lhe amem e lhe sirvam em todas as partes – pessoas que têm transtornado o mundo e que têm realizado com intrepidez as boas obras preparadas por Ele na eternidade.
Finalmente, muito, muito obrigado a cada irmão que orou por essa viagem, seja da minha querida igreja ou não, esteja morando no Brasil ou não! Disse antes que, por haver saído à causa de Cristo e do Evangelho, tenho tido provisões centuplicadas. Na verdade, tenho consciência de que não vou ficar sabendo de muitos dos que Deus tem levantado para orar. Mas repito: suas orações se fazem sentir aqui! E os frutos são resultado do trabalho de vocês também. Deus lhes multiplique as bênçãos! E a Ele toda a glória!
 |
| No Shopping Tienda Inglesa. |
 |
| Eles me pegaram... |
 |
| Almoçando com as moças da igreja... |
 |
| Bem instalados. |
 |
| Me matando de rir da fumaça que o Esteban fazia antes de conseguir fogo... |
 |
| Uma alma a ponto de receber um jornal evangelístico. |
 |
| Dando duro com a lenha ali atrás. |
 |
| Gente fina. |
 |
| Romanos 10:14-15. |
 |
| Com a família de missionários canadense Reimer. |
 |
| O cão maluco deles, Choco! |
 |
| Irmãos que estiveram conosco no último evangelismo que fizemos. |
 |
| O biscoito tem que chegar à boca sem a ajuda das mãos... Eu ganhei! Hehehe... |
(Postagem publicada originalmente em 14 de agosto de 2011)
Nenhum comentário:
Postar um comentário