sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Uma semana no...

Esteban (Argentina), eu, Verane (França), Anita (Chile), Dámaris, Vic, Andrea e Estela (Argentina) - grupo Maldonado.

Em toda a minha vida, jamais pensei que algum dia viria pra Argentina com objetivos missionários. Uma vez aqui, não cheguei a pensar que já teria, em tão pouco tempo, a oportunidade de trabalhar em um terceiro país. Mas, pelo que vejo, Deus está me fazendo experimentar de tudo um pouco...


Saímos do Instituto às dez e meia da noite do dia em que o Brasil meteu 4 contra o Equador (nem pude ver a única partida que merecia ser vista...) – 13 de julho. Chegamos à aduana Argentina-Uruguai por volta das 4 da manhã do dia seguinte. Às 8 da manhã continuávamos parados exatamente no mesmo lugar. Tentei saber o que acontecia... Todos os passaportes haviam sido carimbados. O problema era supostamente os documentos do ônibus. Mandaram buscar, então, em Buenos Aires os documentos que faltavam.

Parados na aduana, às 6:15 da manhã...

Passamos boa parte daquela manhã, enquanto não chegavam com os papéis, orando pela liberação do ônibus. Alguns de nós saímos a repartir jornais evangelísticos e pregar pros caminhoneiros; também para, ao som do violão, cantar e compartilhar versículos uns com os outros. Deu a hora do almoço e continuávamos ali. Subimos em um morro perto da aduana e comemos por volta de 1 e meia da tarde... Pra encurtar essa parte da história, só fomos cruzar a aduana por volta das 6 da tarde!

Um típico uruguaio (Nacho) tomando mate e uma roda de louvor.

Almoçando na fronteira.

17:25... Ainda parados...

Quase 18:00!!! Finalmente sinal verde...

Obviamente, essa situação atrasou todo o programa. Éramos mais de 50, divididos em 5 ou 6 grupos. Meu grupo deveria chegar a uma cidade chamada Maldonado pela parte da tarde do dia 14. Chegamos às 3 da manhã do dia 15. Fomos oito – seis moças, um rapaz do terceiro ano (Esteban, responsável pelo grupo) e eu. O plano inicial era que as meninas ficariam na casa ao fundo da igreja que iríamos apoiar e nós dois, homens, ficaríamos na casa de um dos líderes. Mas acabamos dormindo na igreja. Nunca senti tanto frio na minha vida. Todas as noites era a mesma coisa: acendíamos o fogo para as senhoritas e, depois que o recinto já estava bem quentinho, íamos embora pro nosso frio. E, justamente por causa do frio, me senti o homem mais porco da face da terra também... Tínhamos 15 minutos de água quente em cada banho. Mas o dispositivo quebrou (era uma espécie de timer) e a água quente se foi pra nunca mais... Aí já viram, né?...

Aprendendo a acender uma lareira. ^^

Indo trocar de moeda...

Esteban distribuiu nossas responsabilidades pelo tempo em que ficaríamos juntos. Como já vi que sempre acontece comigo, foi muito difícil aprender a conviver 24 horas com pessoas para as quais, um par de dias antes, nunca havia dado um “oi”. Mas tenho entendido que a convivência intensa acelera o ganho de intimidade e entrosamento. Na verdade, “ou vai, ou racha”! E “foi”... E “ir” implica deixar de lado minhas preferências, minha maneira de pensar e um pequeno monstro chamado “eu” – trocá-lo por uma frágil porcelana chamada “nós”... Por exemplo: Esteban, apesar de estar no terceiro ano, é mais novo que eu; e descobri que ser liderado por alguém mais novo ataca ferozmente meu orgulho. Uma vez que havia identificado esse problema interno (denominado biblicamente “pecado”), tinha duas opções – seguir alimentando o monstro (e pôr a oportunidade de crescimento em minha vida a perder, além de trazer todas as más consequências possíveis), ou rogar a Deus que trabalhasse em meu coração. Escolhi a segunda, que é sempre mais difícil, especialmente no início, porque envolve esforço pessoal. Nós dois estávamos, então, sempre orando antes de dormir por coisas específicas, compartilhando exortações e conversando sinceramente de nossas dificuldades um com o outro – a Bíblia aberta e Deus falando. Creio que essa atitude foi de extrema importância para a realização dos diversos trabalhos que nos tocaram fazer.

Orando com Esteban.

O primeiro deles que pudemos realizar ali foi um Clube Bíblico com os jovens e adolescentes da igreja local. Foi um bom momento de louvor e palavra, em que tivemos também a oportunidade de conhecê-los e de nos apresentar. Nessa reunião, já foi possível ver quem era que geralmente estava à frente e com quem poderíamos contar para unir forças. Impactou-me ver a disposição e o testemunho das moças daquela igreja – falo de meninas entre 7 e 14 anos! Queria que houvesse mais homens com tanta vontade de trabalhar – e isso serve pra mim especialmente.



Também fizemos, e este foi nosso carro-chefe, evangelismo ilustrado em praças, feiras e num campo de futebol. Essa ferramenta consiste no seguinte: primeiramente, faz-se um jogo para chamar a atenção das pessoas. O jogo que usamos e que foi minha responsabilidade dirigir foi o “Jogo dos Números”, uma espécie de desafio em que as pessoas escolhem 6 números de 1 a 36, sendo que garanto desde o início que a soma desses números será 111. Se me equivocasse, pagaria uma Coca pra todos; porém, se acertasse, as pessoas ficariam para a próxima lâmina. Graças a Deus não me equivoquei em nenhuma das vezes e centenas de pessoas ficaram para a lâmina seguinte, e escutaram o Evangelho.

Indo pra praça.

Jogo dos números.

Talvez não pareça, mas tremia de frio e de nervoso... =p

Com a outra lâmina, Esteban ia apresentando o plano de salvação para as pessoas. E a grande maioria escutava tudo, porque ficavam curiosas para saber como a pintura terminaria. E escutavam sobre o pecado, sobre a impossibilidade do homem de chegar a Deus por seus próprios meios, sobre a solução de Deus na pessoa de Jesus Cristo, sobre os dois tipos de nascimento e os dois tipos de morte. Ao terminar a apresentação, os demais do grupo se aproximavam das pessoas e, com a Bíblia na mão, testificavam. É incrível como Deus toca o coração das pessoas, não importando idade ou classe social ou coisa alguma – com essa ferramenta, após as apresentações, pude evangelizar desde crianças a velhinhos, de gente que chegava com carrões a mendigos. Porque o vazio do coração das pessoas tem sempre o formato e tamanho de Deus e porque o presente que Ele oferece é de Graça e para todos – ricos e pobres, crianças e velhos, uruguaios e brasileiros... Sim, choveu brasileiros nessa viagem! Tive a oportunidade de evangelizar para três deles e um (que alegria!) se converteu.

Esteban começando a lâmina evangelística.


Incrível o interesse da gente...

A ponto de falar sobre o verdadeiro problema da humanidade.

Evangelismo ilustrado num campinho de futebol.

Falando com os caras...

Impressionante como as pessoas estão necessitadas, ainda que não pareça...

Outra coisa que fizemos quase todos os dias foi evangelismo de porta em porta. Aí houve de tudo – desde gente que rasgava os folhetos na nossa cara a gente que nos convidava para entrar e tomar mate (como sofri com essa ervinha amarga!). Em uma das vezes, cheguei a uma casa e, justamente nesse momento, saía uma visita. A moça que estava comigo (Ana) falou aos donos da casa enquanto eu falava à visita. Não por coincidência, o senhor com quem conversava não era ninguém menos que o pai de um dos pastores da igreja que nos hospedava. Ele havia estado ali por um tempo, congregando-se, mas agora estava afastado. Ao final, não voltou à igreja, mas o Senhor seguramente lhe incomodou muito. Os textos que usei lhe deixaram sem resposta e justificativa e isso só quem faz é Deus com Sua Palavra.
Também tivemos a maravilhosa oportunidade de visitar, em duas tardes distintas, dois asilos. Incrivelmente, tivemos abertura total para pregar o Evangelho com toda clareza, e uma das diretoras de um dos asilos se converteu também. Estar com idosos, e conversar com eles, exige todo um cuidado, muito maior do que com crianças, creio. Conversei com muitos deles e alguns foram verdadeiros desafios – não queriam conversar, não escutavam bem, sofriam de Alzheimer, Down, etc. Essa experiência me fez lembrar muito meus avós. E agradeci muito a Deus por suas vidas e porque têm quem lhes cuide e lhes dê o devido respeito e honra.

Conversando com vovôs e vovós sobre suas vidas e sobre a de Cristo.

Senti falta dos MEUS avós nessa hora... =')

Realizamos, ainda, uma Hora Feliz com as crianças do bairro onde estávamos. Ana e eu tivemos que nos vestir de palhaços (nunca cheguei a me olhar no espelho!) e, juntos, saímos pelas ruas convidando as famílias. Mais de 50 crianças se juntaram e (já tinha esquecido como era isso!) as fantasias ajudaram bastante! Ali brincamos com elas, fizemos competições e cantamos músicas; mas o mais importante: também evangelizamos. Usando um livro sem palavras, porém de muitas cores, cada cor representando uma parte do plano de salvação, falamos de Cristo e Seu amor pelas pessoas. Foi interessante ver que as crianças agem de maneira similar aos adultos – umas querem escutar e realmente reconhecem que necessitam de Cristo, outras, ao ouvir de pecado, se riem ou vão embora...

Os palhaços Erasto e Erastácia com seus companheiros. XD





Aproveitamos, também, a oportunidade e fomos conhecer Punta del Este. Obviamente, levamos jornais evangelísticos para distribuir ali também. Punta del Este é um lugar fantástico! Lindo pelo que fez Deus e lindo pelo que modificou o homem também. Porém o que mais me chamou a atenção foi que, estranhamente (ao menos para mim), davam-nos permissão para entrar em restaurantes (do tipo 5 estrelas) para distribuir porções da Escritura. As pessoas, em todos os cantos, fosse nas lojas, comércios ou fosse na rua e em praças, nos recebiam muito bem. Ninguém, por exemplo, me fechou as portas ou rejeitou um jornal – alguns inclusive me pediam!



Primeira vez que vou à praia e não sinto a mínima vontade de entrar na água! ;)









E foi um estímulo grandioso ver que Deus começou a frutificar nosso trabalho já na quinta-feira, dia 21, quando houve uma reunião de estudo na igreja e recebemos muitos visitantes – alguns já convertidos durante a semana, outros apenas interessados em escutar um pouco mais. Ali pudemos contar nossos testemunhos e falar de Cristo novamente. Ao final da viagem, somente o nosso grupo em Maldonado, sem contar os demais espalhados pelo restante do país, distribuiu mais de 800 jornais evangelísticos e mais de 200 folhetos; e mais de 200 pessoas escutaram o Evangelho com clareza.

Nunca pense que você já se deu por completo no serviço a Deus.

Falando com um visitante.

Fora todas essas bênçãos, voltei pra Argentina com os horizontes ainda mais longe... Agora tenho amigos e irmãos uruguaios (além de mais amigos e irmãos canadenses, pois havia uma família de missionários do Canada ali) e estou emocionado de ver que, apesar de tantas lutas e dificuldades, Deus tem levantado pessoas que lhe amem e lhe sirvam em todas as partes – pessoas que têm transtornado o mundo e que têm realizado com intrepidez as boas obras preparadas por Ele na eternidade.
Finalmente, muito, muito obrigado a cada irmão que orou por essa viagem, seja da minha querida igreja ou não, esteja morando no Brasil ou não! Disse antes que, por haver saído à causa de Cristo e do Evangelho, tenho tido provisões centuplicadas. Na verdade, tenho consciência de que não vou ficar sabendo de muitos dos que Deus tem levantado para orar. Mas repito: suas orações se fazem sentir aqui! E os frutos são resultado do trabalho de vocês também. Deus lhes multiplique as bênçãos! E a Ele toda a glória!

No Shopping Tienda Inglesa.

Eles me pegaram...

Almoçando com as moças da igreja...

Bem instalados.

Me matando de rir da fumaça que o Esteban fazia antes de conseguir fogo...

Uma alma a ponto de receber um jornal evangelístico.

Dando duro com a lenha ali atrás.

Gente fina.

Romanos 10:14-15.

Com a família de missionários canadense Reimer.

O cão maluco deles, Choco!

Irmãos que estiveram conosco no último evangelismo que fizemos.

O biscoito tem que chegar à boca sem a ajuda das mãos... Eu ganhei! Hehehe...


(Postagem publicada originalmente em 14 de agosto de 2011)

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