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| Cena de Shrek 3. A emoção vem no início e não perdura. É o amor mais calmo, centrado, que capacita o cumprimento das promessas. |
Continuando...
As pessoas tiram dos livros a idéia de que, se casarem com a pessoa certa, continuarão “apaixonadas” a vida toda. O resultado é que, quando acham que não estão mais apaixonadas, concluem que cometeram um erro e podem mudar – sem perceber que quando mudarem, o glamour do novo amor acabará se perdendo da mesma forma que desapareceu do antigo. Nessa área da vida, como em qualquer outra, a emoção vem no começo e não perdura. A emoção que um garoto sente com a idéia de voar pela primeira vez não durará quando ele já estiver na Força Aérea aprendendo a voar. O encanto que sentimos quando vemos um lugar bonito pela primeira vez esmorece quando passamos a morar lá de fato.
Outra idéia que tiramos das novelas e do cinema é que “apaixonar-se” seja algo irresistível; algo que a gente simplesmente “pega” como sarampo. E, por acreditarem nisso, muitas pessoas casadas desistem logo ou jogam a toalha quando se vêem atraídas por uma nova relação. Mas estou inclinado a acreditar que essas paixões irresistíveis são mais raras na vida real do que nos livros, ou pelo menos, com certeza, quando se é adulto. Quando encontramos uma pessoa bonita, inteligente e simpática, é claro que, em certo sentido, amamos, admiramos e louvamos essas boas qualidades. Mas será que não é uma questão de escolha deixar a coisa virar ou não o que chamamos de “estar apaixonado”? [Grifo meu] Não há dúvida de que se as nossas mentes estiverem cheias de novelas, peças e músicas sentimentais, e os nossos corpos saturados de álcool, acabaremos achando que todo tipo de amor seja aquele; é como se houvesse uma valeta no seu caminho. Toda a água da chuva escorreria por essa valeta, da mesma forma que, se você usasse óculos de lente azul, tudo pareceria azul. Mas isso seria nossa própria culpa [grifo meu]. (C. S. Lewis).
E aqui está um dos escritos mais valiosos de Lewis a respeito desse grande tema. Os grifos que fiz, é claro, não foram à toa. Não posso evitar o deslumbre ante uma mulher deslumbrante. Isso é óbvio. Mas acredito piamente que posso (e devo!) controlar o que farei com esse sentimento, que faz o coração bater mais rápido e a garganta apertar. É esse controle que me diferencia de um cão, por exemplo, que sai desesperado atrás de uma cadela no cio tão logo ele a enxergue ou sinta seu cheiro. Se você acha isso difícil demais pra você, bem vindo ao meu clube. Mas só deixarei você permanecer nele se reconhecer que Lewis, apesar da imensa dificuldade na questão, marcou um ponto seguro em mais essa peculiaridade da natureza humana.
Continua na próxima postagem...
(Postagem publicada originalmente em 15 de março de 2011)

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